Respeito às diferenças e construção da cultura da paz são discutidos no módulo presencial do Curso Semente de Girassol em São Luís PDF Imprimir E-mail
Qua, 10 de Dezembro de 2008 16:52

O respeito à diferença foi o tema central das atividades do módulo presencial do Curso Semente de Girassol, que aconteceu emSão Luís dias 6, 7 e 8 de dezembro e envolveu aproximadamente 150 cursistas da capital e de outrosmunicípios. As atividades realizadas destacaram a construção da cultura da paz no enfrentamento da violênciadoméstica contracrianças e adolescentes, problemática que exige uma nova postura de luta e transformação cultural para superar o preconceito, a discriminação e a desigualdade. O curso Semente de Girassol conta com a parceria da Petrobras e do Unicef.

 

No sábado (6), o psicólogo João de Jesus expôs a temática desENVOLVIMENTO Humano: superando as desigualdades, numa forma dialogada com os cursistas para envolver todos na reflexão sobre a condição humana, aquela que nos aproxima. “Nós vivemos diversas relações assimétricas, onde o poder converte as diferenças em desigualdades. Contudo, é a nossa condição de ser humano que deveria ser a base fundamental das relações. É preciso restabelecer o reconhecimento do outro enquanto pessoa humana”, explica João de Jesus.

 

Francisco Lemos

O outro palestrante da manhã do dia 6 foi o advogado do CDMP, Francisco Antônio Lemos. Ele abordou as questões da igualdade, liberdade e solidariedade na palestra Construir um mundo sem violência. Um dos destaques foi o respeito e tolerância à diversidade humana e às escolhas subjetivas. “Não devemos negar as diferenças, pois existimos dentro de nossas individualidades”, ressalta Francisco. O advogado ainda discutiu o déficit no acesso à justiça pela população maranhense em situação de vulnerabilidade, pois o ideal para o Estado seria, pelo menos, uma Defensoria Pública em cada comarca no Maranhão. Assim, um passo importante na perspectiva da justiça para todos seria dado.

 

 

Na manhã do sábado (7), o módulo presencial do Semente de Girassol teve a ilustre participação da Dra. Maria de Lourdes Siqueira, antropólogaespecialista em populações afro-brasileiras. A abordagem envolveu as questões da violência doméstica e a questão de gênero, trazendo a crítica à naturalização do preconceito, principalmente pelo desconhecimento da sociedade brasileira do processo histórico de formação das desigualdades. O problema está intimamente ligado ao ensino escolar, que muitas vezes não respeita e até desencoraja o reconhecimento das trajetórias culturais das diferentes populações brasileiras. Para superar estes desafios, a antropóloga afirma que “temos queacreditar profundamente que a desigualdade é injusta, para quebrar com o processo de naturalização do preconceito e levar para a sala de aula o pensamento de que somos múltiplos”.

 

Coube à assistente social, graduanda em psicologia e presidente do Conselho de Associados do Centro de Defesa, Maria Raimunda, o encerramento do ciclo de palestras do módulo presencial. No domingo (8) ela trouxe o questionamento: “Por que a Violência ocorre no espaço doméstico que, supostamente, estaria reservado a relações de harmonia?”, enfocando a atenção que a saúde pública brasileira tem dado a esse problema social e histórico, especialmente nas últimas décadas. Para Maria Raimunda a intervenção nos casos de violência contra crianças e adolescentes requer uma atuação interinstitucional.  “Diante da complexidade do problema, a parceria entre os equipamentos do Estado e da sociedade civil, aliada ao envolvimento com a comunidade, é uma medida de absoluta necessidade na atuação junto às famílias que vivenciam a violência doméstica”. Maria Raimunda também frisou a importância da atuação de equipes que conjuguem experiências profissionais de diferentes áreas. “A equipe multiprofissional – com psicólogos, médicos, assistentes sociais, entre outros –, favorece uma atenção mais completa aos distintos problemas e necessidades envolvidos na questão da violência doméstica”, explica Raimunda.

 

Além das palestras, o módulo presencial do Curso Semente de Girassol em São Luís realizou atividades de motivação, trabalhando a individualidade e a coletividade no intuito de reforçar laços de parceria e cooperação das pessoas que se envolvem na defesa de direitos de crianças e adolescentes, principalmente às que lidam com questões delicadas como são as violências domésticas e sexuais abordadas no Curso.

 

 

Como avaliação dos cursistas, no domingo (8), um teste foi aplicado para verificar o grau de aprendizagem. Mas o processo avaliativo do Curso Semente de Girassol se deu com a realização de outras atividades por parte dos cursistas, como a realização da oficina “Vozes da Infância”, onde as crianças e adolescentes mostraram como gostariam de ser tratados/as; entrevista com autoridade local acerca do serviço prestado e sua relação com o atendimento a vítimas de violência doméstica e sexual; o “Debate Conscientizador”, atividade em que os cursistas repassam à comunidade as informações que apreenderam do Curso Semente de Girassol. 

 

 

Cursista apresenta trabalho

Uma outra atividade avaliativa são as "Respostas às Cartas Semente de Girassol". As Cartas são parte do material didático e dizem respeito a informações sobre datas comemorativas e sua relação com o universo infanto-juvenil. A atividade avaliativa consiste nos grupos de cursistas apresentarem uma nova produção fruto da reflexão sobre infância e da adolescência na agenda de debates da sociedade brasileira. A apresentação dos grupos contou com muita criatividade e houve desde obras de artes plásticas a performances, músicas e dramatizações. 

 

 

“Estamos muito satisfeitos com a realização do módulo presencial. Tanto em São João dos Patos quanto em São Luís o módulo presencial foi um sucesso. É gratificante ver o empenho e a dedicação com que os cursistas manifestaram o aprendizado, especialmente nas apresentações dos grupos. Toda a equipe do Centro de Defesa sai com suas forças renovadas para novas atividades e para uma outra edição do Curso Semente de Girassol, que   deverá sofrer alterações”, concluiu Nádia Guterres, coordenadora do Curso.

Por Márcio Cruz

Colaboração: Andréia Barbosa

 


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